domingo, 14 de dezembro de 2014

Tanto (por) esquecer

divaga totalidades, revela-se em nódoa, 
revolve a divisão, último remendo antes 
que se consuma a fusão de desdizeres, 

inventa-se fulgor no escuro
regendo a cegueira de si

tanto atento ao trágico, às ruínas que 
se escondem entre 
os dedos, tanto a memória se inventa 
alicerce, enveredada ao que 
se firma no descaso de expelir
chuvisco

tanto se conforma em ser 
escudo ao petrificar-se: rumo ao que 
regride qualquer brecha entre
a saciedade e a sede convicta da
autossuficiência

tanto a fera se debate em surdo urdo 
devora as próprias patas,
o subsídio demandado do 
vital à veia que ainda pulsa, 

contenta delongas com a supressão 
dos raios invadindo 
o edifício de si em
evacuação planejada

tanta 
a roubada troveja memórias 
por nunca moldá-las sem que 
se ceda os vultos terrenos 
(ao previsível) 

pois esquecer seria 
ainda renunciar
as margens que acobertam e
solidificam 
o cerne 

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