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sexta-feira, 22 de abril de 2016

VI

abria a ferida com os dedos como se fosse flor

Prematuro

luzir-defronte imprimir o imitar-coberto
já perdurar de azul cravado em bombear-corpóreo
devotar o entre-imaculado-devir exumando
enfim-lançar-se-contra o preterir abrasado 
o delineado-traçar em dizer dentre os enovelados 
declinares no fluir-ótico de antes-passado que falar-proibido 
pudesse com-ser-teu-refletir eterno e cinzelado-olvidar o inundado-arfar 
de adiante-fulgir-atado ao pulsar-meu 
jamais-imaginar um simplório-uno de colapsar-tornados em apequenar o pôr-solar 
que ser-antes-um-horizontal-porvir ao avultar-tamanho de ascender-em-si
atravessar-te-inteiro-o-desordenar em cativar o dissipado
mas antes-fulgir-dúplice-abrigar em morada-tua
atravessar-te-inteiro-o-abismar em dissipar o cativado
tender ao precipitar no inédito abocanhar do invertebrado 
num contrair-dentário alçado ao destrançado
raptado o ecoar de um emudecido vociferar ao que medir-transpor 
no escapar de toda-voraz-ida-diz findando-por vez-prematura
turvar-abaixo o pedúnculo da legítima-alucinada 
como desnovelar tão efusivo implodir ao que lunar-cresce
desnudando velhos-solares apagados no verbalizar
no que pouco-ao-te-emprestar ser-sido o limiar-nascente-do-empoeirado

terça-feira, 19 de abril de 2016

V

os relógios são retidos as línguas de pedra no percurso a pálpebra do olho que fecha e esquece a candura contra o transe de um reflexo mortífero a silhueta de um cometa acumulado sobre o céu de uma cidade o verbo que desdigo no instante exato de uma vida inteira 

quinta-feira, 14 de abril de 2016

dentro

rasgam-se os centímetros da água que expurgam todo o fétido da ferida
um mote contraído na língua aflita aos vocábulos
todo asco é só um pouco do casco

minha estrada que carqueja esbelta pelo receio 
simples ato sem forma na alvorada do então / eu risco aberto ao intangível 
na postura que d-vagar evade pelas paredes
o ultimato rasgado desaba roto à imensidão

retrato do vão, do personagem falho que cala e concede ao esquiva a memória, 
do convite à escória

o coração exposto em plena brasa, desavisado, 
alado nas asas de um céu que se move pelo cérebro sonâmbulo das ruas
rasgo a cara furtada ao que dorme às pontadas 
e embaço o espelho na ruga do dia
a historicidade submissa a cada gesto de fronteira como vencer a fome 
que já não implora à madrugada : 

sou casa e muralha de vento constante, o súbito, díssono de onda lanceado 
na eternidade 

rasgo-me em vale :
os telhados sobre as casas, pureza ferina de um céu sem bandeiras
(o intento é definhar a víscera até que se exploda o cáustico 
enternecer o descaso a andarilha pálpebra do porvir)
na ferida que inda espreita o rosto surrado a cada caco do teu repasto 
a cada gaze sem desfeito: durmo o sono dos animais mais hostis 
sentindo o disforme balouçar das horas como um contágio 

terça-feira, 12 de abril de 2016

IV

tudo em mim, que perdure e se externe na insistência da concha que atravessou o continente em busca de uma mão de amparo 

domingo, 3 de abril de 2016

as horas serão sempre submersas

sempre horizontais: 
o tempo aberto em flor
ao ventre que blinda da luz e flui pele adentro 
como um parasita cego e sôfrego: 
perfura o engodo do nascimento já amorfo 
na diluição de si-invertebrado: 
o hálito que ressoa é o
deslize das órbitas pelo espelho horário 
que não um rastro de terra deixado sob os séculos: 
o mofo: o toque das pálpebras acendendo o precipício
no que revela passadouro: 
logro o impreterível na intenção de fixar o rosto 

*
as horas não sabem contar mentiras 
como as imagens que se esboçam na pupila 
mas adivinham a desordem de um pássaro 
enquanto comungam da banalidade

terça-feira, 29 de março de 2016

II

se a voz fosse elipse e respiração, o silêncio na velocidade 
da próxima palavra,
o antro comungado de duplas pupilas, 

fosse elipse em diário hesitar da ascensão contra o teu céu: 
quando corpo que a escória emoldura e abisma / 
ágil de espinhos na vigília de qualquer desabamento 

no cume que perfura a lucidez do atraso,
hora que arde na eternidade, 
boca na língua, céu filhote de precipício ou a sina polida, 
pó daquilo muralha  preciso despir o verbal – 
de modo e agouro que rasgue a infância submersa ao sono, 
o olho escancarado à estirpe em cicatriz  preciso verbalizar o despido  
na caixa torácica que pela fome logrou um órgão vivo, 
nela que vivo a inabilidade em conduzir a palavra dita, 
vingar uno e inteiro edifício  preciso de lanternas – 

remendo-me no acaso, um filme, o monocromático aceno da posteridade  
e desosso o vazio furtado àquilo que adormece
/
o vazio na ruminação da ruína
/
o vazio no sonido que sobe aos ouvidos 

/
o vazio nas espinhas que são de onda quebrada 

enquanto simulo arfada e pulverizo a memória 
entre os dentes

quinta-feira, 17 de março de 2016

I

um mar, que partisse do mais áspero rastro de saliva
diluindo o alcance do pincel
que não sei por onde corre a luz desviada pelas quatro portas do instante
do mínimo refúgio nas pálpebras como um códex impenetrável de hábil erro perdurado 
pela mão
se hábil verbo lhes pudesse rebeldia contra a apreensão dos gestos
ou driblasse a ordem plástica dos signos que talham e falham  na matéria   o firmamento
(contra a fagulha sucumbida ao equívoco)
um mar, que grunhisse a imperfeição do teu
enfim-semblante iluminado pelo caos

ancestral

ouvir o barulho dos aplausos na televisão que era réplica da chuva quebrando lá fora
era chuva, embora, o toque múltiplo entre as mãos 
movendo-se no ar feito intempérie 
o parentesco entre a palma da mão e a chuva  
aquela música de milhares de anos gravada no silêncio de uma caverna  
uma infinidade ainda embrião 
revivida num só corpo de som 
respirando 

*
estar sempre à deriva de uma alucinação
enquanto no que brevemente for sangue e vazão pelas enchentes dos corpos,
o rebento da unidade que ressurge lógica mas quebradiça  
a genealogia dos frutos apodrecidos nas vagas duras recompensas 
enquanto a mão delineia a cara 
que finda e revela dois lados numa só piscada
estar sempre à mercê de uma submersão
enquanto resistência aos fios que suturam na água, no ruído ao acaso,
revelar o pavio pela fuligem que foge de um ímpeto
o vislumbre é vertigem quando em todos os sentidos se sonha  
quando o ofício da penumbra na candura silencia o escasso 
enraizado ao abismo / um imundo desmesurado 
como colar as retinas àquilo que tudo que é fuga adia 
por dentro descerram-se os eflúvios que crescem contidos
nas raízes do mundo:                                                  

ar que guardo por meio-século no pulmão esquerdo 

quinta-feira, 19 de novembro de 2015

Fim de fissura

como, esquivo corpo submerso, 
adoecer o grito e nele a sina? 
desmedir o palato da alvorada 
e o olho que trepida tempestivo no teto 
amortecer a penumbra? 
o rasgo cede ao pranto, o enredo ao descolar 
de quase-lapso de penugem ou frio 
que vem e invade o ouvido, 
o riso é uma flecha-labareda, maré que sobe 
a minha garganta e inunda o poderio de cada arfada
em cada meia-alçada o esqueleto do teu clive 
irradia o trono até o carnívoro do vento; 
à pupila que dissolve e sente o decurso das mortes sacralizadas, 
nas casas onde o resguardo é um ocidente falho, um fogo-fáctuo, 
caminha a palavra em travessia, 
maré que sobe a minha garganta 
e decifra o eterno do mar;
ascendo, as ondas se elevam 
como montanhas selando o sono do predador,
decifro e esqueço o nome que me dão, 
as ondas se elevam como brasas repentinas 
e cessam no acaso das pálpebras; 
como tecer um espasmo no dito, no riso, 
na mansidão dos corpos que parelham 
ainda-constelações caladas ao rugido do ouvido que esfria 
e ascender no escuro? 

sexta-feira, 2 de outubro de 2015

Travessa

não há raciocínio 
que recubra os souvenirs de porcelanas 
ao mando mero e mecânico da utilidade
o ouvir fragmentado todo na retina, vida
tender ao impossível o bicho estigmatizado 
ultrapassa o círculo fincado por uma linha de finado dito
após o bocejo (vivo) de antemão
o não é montanha molecular somente, vivo 
estremeço o barulho e a exibição do sol vadio pela janela 
arranca o instante-mal-dito 
do fim do mundo 

quinta-feira, 1 de outubro de 2015

II

ou então-papel transmudado ao forasteiro torto olho cova 
moradia um dia é o menos friccionado no calendário contei 
os dias e lhes alterei milhas a plenos pulmões de bons-dias 
um dia é o arranhão finito da claridade sob a cama o que não 
deve ser ouvido ou medido pela ladainha dos corpos em meio ao mundo mudo e pioneiro das aves  

I

coisa alguma atravessa a mediana rasa do extravio a rua 
precipitada a cada prontidão decifro pelas pálpebras 
feito cordões que quebram contra cordas-precipício há 
simulacros que suportam vozes pelo bisturi penetradas 
um arranque ao degelo o peito que escancaro ao repleto das estrelas 
vértebras sangrando o volver dos círculos é costurar em ti a cicatriz 
que se firma entre o sono e a travessia lá onde o ferro canta em alegoria 
o trinco atravesso a mentira a solidão o encaixe do arvoredo dança 
e a solidão avança às esplanadas quis morder pelas fissuras 
gargarejo sucinto das nuvens que fugiam do concreto 
mas teci e ouvi em seguida teu sísmico segredo de monumento  

domingo, 27 de setembro de 2015

Invade (a luz do poste ou lua)

Abrir as cabeças penduradas entre ramagens estéreis 
do filete roubar-me os olhos  
do vencido comer-me no reparo do que digo e se profetiza 
do que digo e se minimiza pelas cordas desordenadas  

essa língua de víboras 

abrir a veia em refletir inédito abocanhar de eclipses não-datados 
que não alcanço o céu inda que de braços arqueados 
e as cordas se fecham cromáticas sob as pálpebras corsárias da abreviação do ontem 
e me armam o retiro que firmam a repulsa de fuligem 
antes que o percurso contorne o ponteiro e o pulsátil
um contrário de céu lentificado 
um exílio rota avulsa à sombra 
as lentes afinando a memória do jazer-distante 
que me ampara o falso foco do desdito 
como cantar em regresso o solavanco falho do teu passo 
fosse ao contrário muda reticência do que nasce 

domingo, 20 de setembro de 2015

Em negativo

não eclode o rastro decepado pela boca do triunfo verbo
que atropelo como orla manchada pelo ouvido ou sucessão 
 de estragos encruzilhados ao conivente rastro que deixo como
sois que escondo rente à nuca-muda: 
tua temperatura é um conter de horas imaculadas 
e se talhada ao desvão tão inédito um desaforo sem nuvem
que em ti abre a contrição de um astro ao meio 
do não-partir entre fachos de céus desviados pela inércia daquilo 
que comporta a respiração como válvulas pelo o arfar sucinto do diário 

que fecha e degreda o inverso
que encerra e queluz
o pulsar de fotografias vultosas em negativo 
no olho das portas 

e reclamar o cio de labaredas urdindo o resgate de uma casa vaga 
 que em volta intercalada ao cordão de planetas como decapitar de contratempos 
decapitar de enfim-trajeto ao teu lugar altivo
ao teu riso de estilete que traça um rasgo ao vento  
trilha de embriões repentinos: teu pulmão ramificado em astros fora de foco 
é por inteiro vento o que conclui a lágrima em renúncia forjada   
desacreditar o afinco que minto como árvores desobedecendo a gravidade 
decifrar pelos meios internados aos fins e escapar antes
de desertar o dia

terça-feira, 18 de agosto de 2015

Simulacro de partida

Incendiar-me é fazer chover entre os desertos grafados nas veias 
balouçar como uma rua dentro das árvores 
dizer que não é tarde inda que posso enxergar tua fronte no escuro 
e decalca-la de súbito antes que a cegueira irrompa
na imagem de um navio

Surdomuda

depois a combustão do reverso na cena sem um tempo falado
que comia a si e o discurso de pálpebras areadas como baixo rio 
crepitando na boca  
depois um percurso eletrificado pelo vento que caía sobre a pele 
quando solar das horas imaculadas 
o faiscar de um entorno ferido através da repetição 
a constelação definhada pelo trinco desabitado 
à porta e ao
súbito emergencial como em tua anatomia nunca 
precisa ao hábito das asas
depois uma criança que fugia, uma cama imposta a
sondagem que recortava as mudas todas vociferadas 
depois a desordem protegida entre os cumes dos dedos o 
medo sem voltagem ou pulsátil mas breve e colapsado a
cada remoto arquipélago na penumbra
depois o que quase-revelado o que entranhado ao velame em
fotografias ambulantes acendia o rastro dum camicaze sobrevoando 
as cabeças 
as cabeças como campos de aterrissagem 
o inabitável ampliando o curso dos punhos escancarados 
no planeta que engolia  

(

depois
             )

depois a oscilação do papel fragmentado entre escadas subterrâneas

o partir como um risco sinalizado na mão fronteiriça: 
tua intocável brasa de cordas e paisagens 
depois a mim trucidado o dito o estilhaço de um ruído o perecer
que descendia o penhasco aos ouvidos
os teus espaços inda codificados lembrava as rugas dos lençóis: 
a contrição do labirinto
depois às setes horas o afiar dos espinhos no chão: o segundo marcado
pela manhã recolhendo-se em exílio até a consumação 
de uma cabeça de passos
por baixo dos raios que me invadiam 

sábado, 4 de julho de 2015

Vau de bifurcações

acordo e profetizo a erupção
das andorinhas como se o compromisso fosse
uma abreviação. os ruídos e ar-esculpido
pelas mãos que me reservam a contramão
do imprevisto. digo: já me coubesse o percurso 
onde rastreado o edifício é um território
submerso 
(um tráfego entre os mapas da pele) 
porque deter os relógios me rouba um respingo 
de estrela nos lábios inda armados 
à estilete 

domingo, 28 de junho de 2015

Metamorfose às avessas

crês em mim  
que atraso a palavra com o punho de quem
destrinça a caça? 
tardia erupção cardíaca; o alvitre das 
despedidas 

gritar me encerra as ascendências 

tenho a fronteira avessa aos extremos 
meu desfecho é o degelo das contrações 
o estalido da língua velada entre 
os astros terrificando a separação  

não cativo os instantes que me divagam o ontem
como se em cada mão cicatrizassem pregos  

a anunciação evade a hipótese 
[fossem as linhas absolutas
um velame no horizonte deslocado]

estaciono ainda: as sentinelas
a deslizarem datas pelos escapes de emergência 

é uma armadilha que atraca o coração  
a banal fome das manhãs; um maço, o 
abuso
minha suspeita em drenar pupilas 

crês como se eu fosse entrada ao fulcro 
de um meio-lampejo pousado 
no vau dos ímpetos:

eu que exploro a concórdia
dos cumes e inauguro as pisadas
sem descer das escadas; tenho as rotações
tão gastas quanto a respiração do finito

Mácula dos ventos

o nome que se enerva antes de dizê-lo
respira a fixidez de um grito pulverizado:
o respaldo do riso entrevado entre os dentes;
o resto de
asa na farsa do absoluto:

marco a hora com a navalha
dum vento revirado
subo à boca a intempérie das
fronteiras sem nervuras
ou posturas, término de regularidades
(a farta ave que não
me convém)

como se falhasse a prévia do que logo calo,
a cicatriz ornamenta desertos lançados
ao costume

subo a
labareda do ancestral (sonda amena
ao que desvela pormenores)
a-tormentar o avesso inconstante das
plataformas onde em meu percurso
cegam: o evacuar

cimo que irrompo num fisgo de mar
espreitado das janelas
à cartografia
cujo único devir é uma ferida
viciada

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